Skip to main content
Comunicados OficiaisNotícias

Nota conjunta de alerta à população – Micropênis

By 27 de março de 2026No Comments

O diagnóstico é complexo e requer avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar de especialistas envolvendo pediatras, urologistas, cirurgiões pediatras, endocrinologistas pediatras, geneticistas e outros.

Em defesa da saúde das crianças contra diagnósticos incorretos e a administração inadequada de hormônios

As Sociedades das Especialidades Médicas que assinam este documento vêm a público manifestar profunda preocupação com a disseminação em redes sociais de falsas informações e recomendações inapropriadas de tratamento hormonal em crianças.
As aludidas informações não seguem a medicina baseada em evidências, desrespeitam princípios fundamentais da profissão e podem induzir famílias ao erro, levando a diagnósticos incorretos e tratamentos desnecessários, colocando saúde das crianças sob riscos graves.
Estão sendo divulgados conteúdos repetitivos e enganosos que incentivam pais e responsáveis a medirem o pênis de crianças em casa, induzindo-os a um falso diagnóstico de “micropênis”. Frequentemente, essas postagens vêm acompanhadas de anúncios de terapias hormonais que são vendidas diretamente ao público, sob a infundada alegação de que existe uma “epidemia” de micropênis, algo que na realidade não existe.
Esta nota visa esclarecer a população a fim de proteger a integridade física e mental das crianças
e adolescentes, reforçar princípios fundamentais da prática médica fundamentando-se nos seguintes pontos:

1. Por que não medir em casa?

A avaliação do comprimento do pênis é um procedimento técnico que exige profissional e
instrumentos adequados. Ela deve ser realizada em ambiente clínico apropriado. Um estudo
realizado pelo Departamento de Urologia Pediátrica da SBU mostrou que medições do pênis
realizadas por pessoas que não são da área da saúde têm alta taxa de erro. Essas medidas podem
levar a interpretações equivocadas do real tamanho do pênis, gerando ansiedade desnecessária,
rótulos de alterações penianas que não existem, estresse físico e psicológico e busca por
tratamentos indevidos.

2. O micropênis é uma condição clínica rara e isso é bem conhecido pela medicina.

O diagnóstico é complexo e requer avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar de especialistas
envolvendo pediatras, urologistas, cirurgiões pediatras, endocrinologistas pediatras, geneticistas e outros. Esse diagnóstico não pode ser definido por uma medida isolada do pênis com régua ou fita métrica. Ele exige uma avaliação clínica detalhada, que inclui exame físico adequado, análise do histórico de saúde da criança, avaliação do desenvolvimento puberal e, quando indicado, exames laboratoriais e genéticos.

3. Os perigos do uso de hormônios sem necessidade:

O uso de hormônios na infância é um assunto muito sério e restrito a casos específicos, após investigação profunda. O uso indiscriminado de hormônios ou seu uso sem indicações precisas pode causar danos graves e, muitas vezes, irreversíveis à saúde da criança e do adulto que um dia ele se tornará, incluindo infertilidade futura, alterações de crescimento e alterações hormonais. A prescrição médica responsável é sempre um ato que envolve conhecimento científico, ética e compromisso com o bem-estar do paciente. A decisão terapêutica deve ser individualizada e cuidadosamente discutida com a família.

Recomendações finais

As Sociedades Médicas recomendam que qualquer avaliação do desenvolvimento genital masculino na infância e adolescência seja realizada exclusivamente por médicos especialistas, utilizando técnicas adequadas e em ambiente clínico apropriado e respeitoso.
Diante da gravidade dessa desinformação propagada nas mídias sociais, as Sociedades que
assinam essa nota informam que acionarão os órgãos competentes, incluindo o Ministério da
Saúde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério Público. Isso é importante para que, além de investigar condutas que contrariam a ética médica, seja preservado o bem-estar das crianças e adolescentes e de suas famílias.

Reafirmamos nosso compromisso com a ética, com a ciência, com a medicina baseada em
evidências e com a proteção integral da saúde física, mental e social de nossas crianças e
adolescentes.

Permaneceremos vigilantes na orientação da população, no combate a práticas sem respaldo
científico e na defesa incondicional da medicina baseada em evidências.

25 de março de 2026.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA (SBU)
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP)
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA (CIPE)
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM)

Nota-conjunta-micropenis